A vacina do HPV é uma das principais estratégias de prevenção contra infecções causadas pelo papilomavírus humano (HPV),vírus associado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Entre eles estão o câncer de colo do útero, além de câncer de ânus, pênis, orofaringe, vulva e vagina.
A imunização atua estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos contra os tipos mais oncogênicos do vírus, reduzindo significativamente o risco de infecção persistente e, consequentemente, o desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e câncer.
Devido à sua eficácia e segurança, a vacinação contra o HPV é recomendada mundialmente por instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Quem deve receber a vacina do HPV?
A vacinação é indicada prioritariamente para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, período em que a resposta imunológica costuma ser mais eficaz e, idealmente, antes do início da vida sexual.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação para:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos
- Pessoas imunossuprimidas (como pacientes vivendo com HIV/Aids, transplantados ou em tratamento oncológico),podendo chegar até 45 anos, conforme critérios específicos.
É importante destacar que a vacina é recomendada tanto para mulheres quanto para homens, já que o HPV pode causar doenças em ambos os sexos, incluindo cânceres de orofaringe, ânus, pênis, vulva e vagina.
Esquema de doses da vacina do HPV
Desde 2024, foi adotado o esquema de dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, estratégia baseada em evidências científicas que demonstram proteção eficaz nessa faixa etária e que contribui para ampliar a cobertura vacinal no país.
Para alguns grupos com maior vulnerabilidade ou risco de complicações, o esquema vacinal permanece diferenciado. Pessoas imunodeprimidas, como indivíduos vivendo com HIV ou aids, transplantados e pacientes em tratamento oncológico, devem receber três doses da vacina, aplicadas nos intervalos de 0, 2 e 6 meses.
Outros grupos prioritários também podem receber esquemas específicos, conforme avaliação dos serviços de saúde, incluindo vítimas de violência sexual, pessoas com papilomatose respiratória recorrente e usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).
A vacina utilizada no Brasil protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, responsáveis pela maioria das verrugas genitais e por grande parte dos cânceres relacionados ao vírus.
Importância da prevenção e do diagnóstico precoce
A vacinação contra o HPV é uma ferramenta essencial para reduzir a incidência de cânceres relacionados ao vírus. No entanto, ela deve ser combinada com outras estratégias de prevenção e rastreamento.
Entre as principais medidas estão:
- uso de preservativos nas relações sexuais
- acompanhamento médico regular
- realização de exames de rastreamento para o câncer de colo do útero
Tradicionalmente, o rastreamento é realizado por meio do exame citopatológico (Papanicolau). Entretanto, o Brasil vem avançando na incorporação de tecnologias mais modernas de diagnóstico.
Atualmente, o teste de detecção do DNA do HPV oncogênico tem sido implementado como exame de escolha para o rastreamento do câncer de colo do útero, por apresentar maior sensibilidade na identificação de infecções associadas ao desenvolvimento da doença.
Esse teste permite identificar o vírus antes mesmo do surgimento de alterações celulares, possibilitando um acompanhamento mais precoce e estratégias de prevenção mais eficazes.
Segurança e efeitos colaterais da vacina do HPV
Assim como outras vacinas aprovadas, a vacina contra o HPV passou por rigorosos estudos clínicos, que comprovaram sua segurança e eficácia. Os efeitos colaterais costumam ser leves e temporários, podendo incluir:
- dor no local da aplicação
- vermelhidão
- leve inchaço
Reações mais graves são extremamente raras e são monitoradas continuamente por autoridades sanitárias. A vacina não contém vírus vivos e não pode causar infecção pelo HPV.
Mesmo pessoas que já tiveram contato com o vírus podem se beneficiar da vacinação, pois ela pode proteger contra outros tipos de HPV aos quais ainda não houve exposição.
Mitos e verdades sobre a vacina do HPV
Mito: A vacina contra o HPV estimula a atividade sexual precoce.
Verdade: Estudos científicos demonstram que não existe relação entre vacinação e mudança no comportamento sexual.
Mito: A vacina é eficaz apenas para mulheres.
Verdade: Homens também devem ser vacinados, pois o HPV pode causar doenças em ambos os sexos.
Mito: A vacina pode causar infertilidade.
Verdade: Não há evidências científicas que indiquem impacto da vacina na fertilidade.
Como e onde tomar a vacina do HPV?
No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas unidades básicas de saúde para os grupos indicados.
Clínicas privadas também oferecem a imunização, ampliando o acesso para outras faixas etárias.
O registro da vacinação deve ser feito no cartão de vacinação, documento essencial para acompanhar as doses aplicadas.
Proteja-se com a vacina do HPV
A vacinação contra o HPV é uma das formas mais eficazes de prevenção contra diversos tipos de câncer.
Aliada ao rastreamento adequado e ao acompanhamento médico, ela contribui para reduzir significativamente a incidência da doença e promover mais saúde para a população.
Se desejar conversar com um/a cirurgião/ã oncológico/a, conte com a ajuda da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Utilize a ferramenta de busca para encontrar profissionais especializados na sua região.


