A cirurgia de tireoide é o principal tratamento para a maioria dos casos de câncer de tireoide. O procedimento pode envolver a retirada parcial ou total da glândula, dependendo do tipo, do tamanho e da extensão do tumor. Quando indicada precocemente e realizada por umcirurgião oncológico/cirurgião de cabeça e pescoço, a cirurgia oferece altas taxas de cura, especialmente nos tumores bem diferenciados.
Segundo oInstituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de tireoide é o tumor mais frequente da região de cabeça e pescoço. Apesar de, na maioria das vezes, apresentar crescimento lento, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para alcançar os melhores resultados.
Neste artigo, você entenderá quando a cirurgia é indicada, como ela é realizada, como ocorre a recuperação e quais são os principais cuidados após o procedimento.
Quando a cirurgia de tireoide é indicada?
Nem todo nódulo de tireoide precisa de cirurgia. Muitos nódulos são benignos e podem ser apenas acompanhados por meio de consultas médicas, exames laboratoriais e ultrassonografias periódicas.
A cirurgia de tireoide costuma ser indicada nas seguintes situações:
- Diagnóstico confirmado de câncer de tireoide.
- Suspeita de malignidade após biópsia.
- Crescimento progressivo do nódulo.
- Compressão da traqueia ou do esôfago.
- Presença de metástases em linfonodos cervicais.
O tratamento é individualizado. O cirurgião oncológico e cirurgião de cabeça e pescoço considera fatores como idade, tipo histológico do tumor, extensão da doença e condições clínicas do paciente.
Em alguns casos, a cirurgia pode ser complementada com iodoterapia (iodo radioativo) para eliminar células tumorais remanescentes.
Como é feita a cirurgia de tireoide?
A cirurgia de tireoide é realizada em centro cirúrgico, sob anestesia geral, e costuma durar entre uma e três horas.
O procedimento pode variar conforme as características do tumor.
| Tipo de cirurgia | Quando costuma ser indicada |
| Lobectomia | Tumores pequenos e restritos a um dos lobos da tireóide. |
| Tireoidectomia total | Tumores maiores, multifocais ou com maior risco de disseminação. |
Quando existem linfonodos comprometidos, pode ser necessário realizar também o esvaziamento cervical, retirando os gânglios linfáticos afetados.
Em situações específicas, alguns pacientes podem ser candidatos à tireoidectomia transvestibular, técnica minimamente invasiva que realiza as incisões pela cavidade oral, sem cicatriz aparente no pescoço.
A definição da melhor técnica depende da avaliação individual realizada pelo especialista.Encontre um cirurgião oncológico associado à SBCO em sua região →
Como é a recuperação após a cirurgia de tireoide?
Na maioria dos casos, o paciente permanece internado apenas um dia e recebe alta hospitalar no dia seguinte.
A recuperação costuma ser rápida quando não há complicações.
Durante esse período, recomenda-se:
- Seguir corretamente a prescrição médica.
- Evitar esforços físicos nas primeiras semanas.
- Manter uma alimentação equilibrada.
- Comparecer às consultas de acompanhamento.
- Observar sinais como rouquidão persistente ou alterações no cálcio.
Pacientes submetidos à tireoidectomia total geralmente necessitam de reposição hormonal diária, já que a glândula deixa de produzir os hormônios tireoidianos.
Nos casos de lobectomia, a necessidade de reposição hormonal depende do funcionamento do tecido remanescente.
O acompanhamento médico periódico é indispensável para monitorar a recuperação e identificar precocemente qualquer sinal de recorrência.
Quais são os riscos da cirurgia?
Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia de tireoide apresenta riscos, embora complicações graves sejam pouco frequentes quando realizada por equipes experientes.
Entre as possíveis complicações estão:
- Rouquidão temporária.
- Alterações na voz.
- Lesão do nervo laríngeo recorrente (mais rara).
- Hipocalcemia causada por alterações das paratireoides.
- Sangramento ou infecção.
A maioria dessas alterações pode ser tratada e acompanhada adequadamente pela equipe médica.
Quais são as chances de cura?
O prognóstico do câncer de tireóide depende principalmente do tipo do tumor, do estágio da doença e da realização do tratamento adequado.
Nos carcinomas papilíferos, que representam a maioria dos casos, as taxas de sobrevida são bastante elevadas quando o diagnóstico ocorre precocemente. Segundo o guia de diagnóstico precoce de câncer daOrganização Mundial da Saúde (OMS), identificar a doença em estágios iniciais é um dos fatores mais determinantes para o sucesso do tratamento em qualquer tipo de câncer.
Mesmo em situações mais avançadas, a associação entre cirurgia, iodoterapia e acompanhamento especializado pode proporcionar excelente controle da doença.
Por isso, procurar avaliação médica diante de um nódulo suspeito continua sendo a melhor estratégia para aumentar as chances de cura.
Quem realiza a cirurgia de tireoide?
A cirurgia de tireoide para tratamento do câncer deve ser realizada por um cirurgião oncológico, profissional capacitado para avaliar cada caso individualmente e definir a melhor estratégia terapêutica. A definição das especialidades e áreas de atuação médica reconhecidas no Brasil segue aResolução CFM nº 2.336/2023.
Esse especialista atua em conjunto com cirurgiões de cabeça e pescoço, endocrinologistas, patologistas, radiologistas, médicos nucleares e outros profissionais, garantindo um tratamento multidisciplinar baseado nas evidências científicas mais atuais.
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Perguntas frequentes
Toda cirurgia de tireoide é por causa de câncer? Não. Muitos nódulos de tireoide são benignos e não exigem cirurgia, apenas acompanhamento periódico. A indicação cirúrgica depende de biópsia, tamanho do nódulo e outros fatores avaliados por um cirurgião oncológico.
Quanto tempo dura a internação após a cirurgia de tireoide? Na maioria dos casos, apenas um dia, com alta no dia seguinte, quando não há complicações.
É necessário tomar hormônio para sempre após a cirurgia? Pacientes que fazem tireoidectomia total geralmente precisam de reposição hormonal diária permanente. Já em casos de lobectomia, isso depende do funcionamento do tecido remanescente.
Artigo revisado e assinado por:Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, Cirurgião Oncológico | Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, Cirurgião Ocológico | Vice-Diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)


