Cirurgia de tireoide: como é feita e quando é indicada

Cirurgia de tireoide: como é feita e quando é indicada

Por: ATUALIZADO EM: 28 jul 2026 | PUBLICADO EM: 16 maio 2023

A cirurgia de tireoide é o principal tratamento para a maioria dos casos de câncer de tireoide. O procedimento pode envolver a retirada parcial ou total da glândula, dependendo do tipo, do tamanho e da extensão do tumor. Quando indicada precocemente e realizada por umcirurgião oncológico/cirurgião de cabeça e pescoço, a cirurgia oferece altas taxas de cura, especialmente nos tumores bem diferenciados.

Segundo oInstituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de tireoide é o tumor mais frequente da região de cabeça e pescoço. Apesar de, na maioria das vezes, apresentar crescimento lento, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para alcançar os melhores resultados.

Neste artigo, você entenderá quando a cirurgia é indicada, como ela é realizada, como ocorre a recuperação e quais são os principais cuidados após o procedimento.

Quando a cirurgia de tireoide é indicada?

Nem todo nódulo de tireoide precisa de cirurgia. Muitos nódulos são benignos e podem ser apenas acompanhados por meio de consultas médicas, exames laboratoriais e ultrassonografias periódicas.

A cirurgia de tireoide costuma ser indicada nas seguintes situações:

  • Diagnóstico confirmado de câncer de tireoide.
  • Suspeita de malignidade após biópsia.
  • Crescimento progressivo do nódulo.
  • Compressão da traqueia ou do esôfago.
  • Presença de metástases em linfonodos cervicais.

O tratamento é individualizado. O cirurgião oncológico e cirurgião de cabeça e pescoço considera fatores como idade, tipo histológico do tumor, extensão da doença e condições clínicas do paciente.

Em alguns casos, a cirurgia pode ser complementada com iodoterapia (iodo radioativo) para eliminar células tumorais remanescentes.

Como é feita a cirurgia de tireoide?

A cirurgia de tireoide é realizada em centro cirúrgico, sob anestesia geral, e costuma durar entre uma e três horas.

O procedimento pode variar conforme as características do tumor.

Tipo de cirurgiaQuando costuma ser indicada
LobectomiaTumores pequenos e restritos a um dos lobos da tireóide.
Tireoidectomia totalTumores maiores, multifocais ou com maior risco de disseminação.

Quando existem linfonodos comprometidos, pode ser necessário realizar também o esvaziamento cervical, retirando os gânglios linfáticos afetados.

Em situações específicas, alguns pacientes podem ser candidatos à tireoidectomia transvestibular, técnica minimamente invasiva que realiza as incisões pela cavidade oral, sem cicatriz aparente no pescoço.

A definição da melhor técnica depende da avaliação individual realizada pelo especialista.Encontre um cirurgião oncológico associado à SBCO em sua região →

Como é a recuperação após a cirurgia de tireoide?

Na maioria dos casos, o paciente permanece internado apenas um dia e recebe alta hospitalar no dia seguinte.

A recuperação costuma ser rápida quando não há complicações.

Durante esse período, recomenda-se:

  • Seguir corretamente a prescrição médica.
  • Evitar esforços físicos nas primeiras semanas.
  • Manter uma alimentação equilibrada.
  • Comparecer às consultas de acompanhamento.
  • Observar sinais como rouquidão persistente ou alterações no cálcio.

Pacientes submetidos à tireoidectomia total geralmente necessitam de reposição hormonal diária, já que a glândula deixa de produzir os hormônios tireoidianos.

Nos casos de lobectomia, a necessidade de reposição hormonal depende do funcionamento do tecido remanescente.

O acompanhamento médico periódico é indispensável para monitorar a recuperação e identificar precocemente qualquer sinal de recorrência.

Quais são os riscos da cirurgia?

Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia de tireoide apresenta riscos, embora complicações graves sejam pouco frequentes quando realizada por equipes experientes.

Entre as possíveis complicações estão:

  • Rouquidão temporária.
  • Alterações na voz.
  • Lesão do nervo laríngeo recorrente (mais rara).
  • Hipocalcemia causada por alterações das paratireoides.
  • Sangramento ou infecção.

A maioria dessas alterações pode ser tratada e acompanhada adequadamente pela equipe médica.

Quais são as chances de cura?

O prognóstico do câncer de tireóide depende principalmente do tipo do tumor, do estágio da doença e da realização do tratamento adequado.

Nos carcinomas papilíferos, que representam a maioria dos casos, as taxas de sobrevida são bastante elevadas quando o diagnóstico ocorre precocemente. Segundo o guia de diagnóstico precoce de câncer daOrganização Mundial da Saúde (OMS), identificar a doença em estágios iniciais é um dos fatores mais determinantes para o sucesso do tratamento em qualquer tipo de câncer.

Mesmo em situações mais avançadas, a associação entre cirurgia, iodoterapia e acompanhamento especializado pode proporcionar excelente controle da doença.

Por isso, procurar avaliação médica diante de um nódulo suspeito continua sendo a melhor estratégia para aumentar as chances de cura.

Quem realiza a cirurgia de tireoide?

A cirurgia de tireoide para tratamento do câncer deve ser realizada por um cirurgião oncológico, profissional capacitado para avaliar cada caso individualmente e definir a melhor estratégia terapêutica. A definição das especialidades e áreas de atuação médica reconhecidas no Brasil segue aResolução CFM nº 2.336/2023.

Esse especialista atua em conjunto com cirurgiões de cabeça e pescoço, endocrinologistas, patologistas, radiologistas, médicos nucleares e outros profissionais, garantindo um tratamento multidisciplinar baseado nas evidências científicas mais atuais.

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Perguntas frequentes 

Toda cirurgia de tireoide é por causa de câncer? Não. Muitos nódulos de tireoide são benignos e não exigem cirurgia, apenas acompanhamento periódico. A indicação cirúrgica depende de biópsia, tamanho do nódulo e outros fatores avaliados por um cirurgião oncológico.

Quanto tempo dura a internação após a cirurgia de tireoide? Na maioria dos casos, apenas um dia, com alta no dia seguinte, quando não há complicações.

É necessário tomar hormônio para sempre após a cirurgia? Pacientes que fazem tireoidectomia total geralmente precisam de reposição hormonal diária permanente. Já em casos de lobectomia, isso depende do funcionamento do tecido remanescente.

Artigo revisado e assinado por:Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, Cirurgião Oncológico | Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, Cirurgião Ocológico | Vice-Diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)

Autor:
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, fundada em 31 de maio de 1988, cuja finalidade é congregar cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado à pessoa com câncer.
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