O exercício físico durante a quimioterapia é recomendado para a maioria dos pacientes, desde que seja adaptado às condições clínicas e orientado pela equipe de saúde. Atualmente, evidências científicas mostram que a prática regular de atividade física pode ajudar a reduzir a fadiga, preservar a massa muscular, melhorar a capacidade funcional e contribuir para a qualidade de vida durante o tratamento do câncer. No entanto, o tipo, a intensidade e a frequência dos exercícios devem ser individualizados.
Durante muitos anos, acreditava-se que o repouso absoluto era a melhor opção para quem estava em tratamento oncológico. Hoje, essa recomendação mudou. Diversas sociedades científicas, como a American Society of Clinical Oncology (ASCO) e oAmerican College of Sports Medicine (ACSM), orientam que a atividade física faz parte do cuidado integral ao paciente com câncer, sempre respeitando suas limitações e necessidades.
Neste artigo, você entenderá quais são os benefícios do exercício físico durante a quimioterapia, quando ele deve ser evitado e quais cuidados são essenciais para praticá-lo com segurança.
Exercício físico durante a quimioterapia é seguro?
Na maioria dos casos, sim.
O exercício físico durante a quimioterapia é considerado seguro quando realizado após avaliação da equipe responsável pelo tratamento. A recomendação leva em consideração fatores como o tipo de câncer, o estágio da doença, o protocolo de quimioterapia, a presença de outras doenças e o condicionamento físico do paciente.
Cada pessoa responde ao tratamento de maneira diferente. Enquanto alguns pacientes conseguem manter uma rotina ativa, outros podem precisar reduzir a intensidade das atividades em determinados períodos.
O mais importante é evitar tanto o sedentarismo quanto os esforços excessivos.
Segundo o American College of Sports Medicine, pessoas com câncer devem ser estimuladas a permanecer fisicamente ativas sempre que possível.
➡ Saiba mais sobre os cuidados durante o tratamento do câncer em nosso blog.
Quais são os benefícios da atividade física?
Os benefícios vão muito além da melhora do condicionamento físico.
Estudos mostram que pacientes ativos apresentam melhor tolerância ao tratamento e maior capacidade para realizar atividades do dia a dia.
Entre os principais benefícios estão:
- Redução da fadiga relacionada ao câncer;
- Preservação da força muscular;
- Melhor equilíbrio e mobilidade;
- Controle do peso corporal;
- Redução da ansiedade e dos sintomas depressivos;
- Melhora da qualidade do sono;
- Maior independência nas atividades diárias;
- Melhor qualidade de vida.
Além dos benefícios físicos, o exercício também contribui para o bem-estar emocional, favorecendo a autoestima e a sensação de autonomia durante o tratamento.
Esses ganhos são observados em diferentes tipos de câncer e em diversas fases da terapia oncológica.
Quais exercícios costumam ser recomendados?
Não existe um único exercício indicado para todos os pacientes.
O plano deve ser individualizado e considerar os objetivos, as limitações e a resposta ao tratamento.
As modalidades mais frequentemente recomendadas incluem:
- Caminhadas;
- Bicicleta ergométrica;
- Hidroginástica, quando autorizada;
- Exercícios de fortalecimento muscular;
- Alongamentos;
- Exercícios de equilíbrio;
- Atividades respiratórias.
Em geral, recomenda-se combinar exercícios aeróbicos e exercícios de fortalecimento muscular, respeitando sempre os limites do paciente.
Em muitos casos, o acompanhamento por um profissional de Educação Física com experiência em oncologia é recomendado para a prescrição e progressão dos exercícios. Dependendo das necessidades do paciente, esse cuidado também pode ser realizado em conjunto com o fisioterapeuta, especialmente quando há limitações funcionais, sequelas do tratamento ou necessidade de reabilitação.
Quando o exercício deve ser interrompido?
Embora a atividade física seja benéfica para a maioria dos pacientes, existem situações que exigem a suspensão temporária ou adaptação dos exercícios.
Entre elas:
- Febre ou infecção ativa;
- Anemia importante;
- Plaquetas muito baixas;
- Dor intensa;
- Falta de ar importante;
- Tonturas persistentes;
- Complicações relacionadas ao tratamento.
Sempre que houver qualquer sintoma novo, a equipe médica deve ser comunicada antes da retomada das atividades.
➡ A ASCO disponibiliza recomendações atualizadas sobre atividade física durante o tratamento do câncer em:https://www.asco.org
O exercício substitui outros cuidados?
Não.
O exercício físico durante a quimioterapia faz parte de uma abordagem ampla de cuidado ao paciente com câncer. Ele deve estar associado ao acompanhamento médico, alimentação adequada, suporte psicológico quando necessário e ao cumprimento do plano terapêutico definido pela equipe multiprofissional.
Além disso, manter hábitos saudáveis também contribui para reduzir o risco de outras doenças e melhorar a recuperação após o tratamento.
➡ Leia também: Qual a relação entre alimentação e prevenção do câncer?
Como criar uma rotina segura de exercícios durante a quimioterapia?
A prática de atividade física deve ser adaptada à realidade de cada paciente. O objetivo não é atingir alto desempenho esportivo, mas manter o corpo ativo dentro das possibilidades de cada fase do tratamento.
Algumas orientações podem ajudar:
- Converse com o oncologista antes de iniciar ou modificar uma rotina de exercícios.
- Respeite os dias em que os efeitos da quimioterapia forem mais intensos.
- Prefira atividades de intensidade leve a moderada.
- Mantenha uma boa hidratação antes, durante e após o exercício.
- Utilize roupas e calçados confortáveis.
- Interrompa a atividade caso apresente dor intensa, falta de ar, tontura ou qualquer sintoma incomum.
A recomendação atual das sociedades científicas é que o paciente permaneça o mais ativo possível, evitando longos períodos de inatividade, sempre respeitando seus limites físicos.
O papel da equipe multidisciplinar
O sucesso do tratamento oncológico depende de uma abordagem integrada.
Além do cirurgião oncológico e do oncologista clínico, outros profissionais desempenham papel importante na orientação sobre atividade física durante a quimioterapia.
Entre eles estão:
- Fisioterapeutas;
- Profissionais de Educação Física capacitados em oncologia;
- Nutricionistas;
- Enfermeiros;
- Psicólogos.
Essa atuação conjunta permite identificar limitações, prevenir complicações e adaptar o plano de exercícios conforme a evolução do tratamento.
A individualização é um dos pilares da oncologia moderna. O que é adequado para um paciente pode não ser indicado para outro.
Exercício físico é parte do cuidado oncológico
Atualmente, a atividade física deixou de ser considerada apenas um complemento ao tratamento e passou a integrar o cuidado oncológico baseado em evidências.
Diversos estudos mostram que pacientes fisicamente ativos apresentam melhor capacidade funcional, menor fadiga e melhor qualidade de vida durante e após a quimioterapia.
Isso não significa que todos devam realizar exercícios intensos ou seguir um mesmo programa de treinamento. A recomendação é que cada paciente seja avaliado individualmente para que a prática seja segura e compatível com suas condições clínicas.
Manter o corpo em movimento, dentro dos limites estabelecidos pela equipe de saúde, pode contribuir significativamente para o enfrentamento do câncer e para a recuperação após o tratamento.
Está em tratamento oncológico e tem dúvidas sobre a prática de exercícios físicos?
Converse com sua equipe médica antes de iniciar qualquer atividade. O acompanhamento individualizado é essencial para que o exercício seja realizado com segurança e traga os benefícios esperados.
Continue acompanhando o portal da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) para acessar conteúdos confiáveis sobre prevenção, tratamento e qualidade de vida durante o cuidado oncológico.
Perguntas frequentes
Quem faz quimioterapia pode praticar atividade física?
Sim. Na maioria dos casos, o exercício físico é recomendado durante a quimioterapia, desde que seja adaptado às condições clínicas do paciente e orientado pela equipe médica.
Caminhar durante a quimioterapia faz bem?
Sim. A caminhada é uma das atividades mais frequentemente recomendadas no intervalo das infusões, pois ajuda a melhorar o condicionamento físico, reduzir a fadiga e preservar a capacidade funcional.
Existe algum exercício proibido durante a quimioterapia?
Não existe uma regra única. Exercícios de alta intensidade ou com risco de quedas podem ser contraindicados em algumas situações. A recomendação depende do quadro clínico de cada paciente.
Posso fazer musculação durante a quimioterapia?
Em muitos casos, sim, durante o intervalo das infusões. Exercícios de fortalecimento muscular podem ser indicados, desde que supervisionados e ajustados à condição física do paciente.
Quando devo interromper os exercícios?
A atividade deve ser suspensa e comunicada à equipe médica caso ocorram:
- Febre;
- Sangramentos;
- Falta de ar intensa;
- Dor importante;
- Tontura persistente;
- Infecção;
- Alterações laboratoriais significativas.
Artigo revisado e assinado por: Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, Cirurgião Oncológico | Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, Cirurgião Oncológico | Vice-Diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)


