Tratamento multidisciplinar do câncer: qual é o papel da cirurgia oncológica?

Tratamento multidisciplinar do câncer: qual é o papel da cirurgia oncológica?

Por: PUBLICADO EM: 17 jun 2026

O tratamento multidisciplinar do câncer com cirurgia representa uma das abordagens mais eficazes da oncologia moderna. Nenhuma especialidade, isoladamente, consegue dar conta da complexidade que um diagnóstico de câncer impõe. Por isso, diferentes profissionais trabalham de forma integrada — e a cirurgia oncológica é uma das peças centrais desse processo.

Se você ou alguém que você ama está passando por essa jornada, entender como esse modelo funciona pode ajudar a tomar decisões mais seguras e informadas.

O que é o tratamento multidisciplinar do câncer?

O tratamento multidisciplinar é uma abordagem em que cirurgiões oncológicos, oncologistas clínicos, radioterapeutas, patologistas, radiologistas e outros especialistas atuam em conjunto. Cada decisão é discutida coletivamente, com base em evidências científicas e nas características individuais do paciente.

Segundo aOrganização Mundial da Saúde (OMS), o trabalho coordenado entre especialidades é um dos fatores que mais influencia os resultados no tratamento oncológico. A integração evita condutas isoladas, reduz atrasos diagnósticos e garante que o paciente receba o cuidado certo, no momento certo.

 

Qual é o papel da cirurgia no tratamento do câncer?

A cirurgia oncológica pode atuar em diferentes momentos do tratamento:

Intenção curativa: em muitos tipos de câncer — como mama, colorretal, tireóide e pulmão —, a retirada cirúrgica do tumor é o principal caminho para a cura. O objetivo é remover a lesão com margens livres, ou seja, sem deixar células tumorais para trás.

Cirurgia citorredutora: em casos em que a remoção total não é possível, a cirurgia reduz o volume do tumor para potencializar o efeito de outros tratamentos, como a quimioterapia ou a radioterapia.

Cirurgia de estadiamento: alguns procedimentos são realizados para confirmar o grau de extensão da doença, informando a estratégia terapêutica do restante da equipe.

Cirurgia paliativa: quando a cura não é o objetivo, a intervenção cirúrgica pode aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir complicações.

Saiba mais sobre as especialidades da cirurgia oncológica acessando osite oficial da SBCO

Como a cirurgia oncológica se integra ao tratamento multidisciplinar do câncer?

A integração começa antes da operação. Em reuniões clínicas multidisciplinares — os chamados Tumor Boards — cirurgiões, oncologistas e outros especialistas analisam cada caso em conjunto. Esse modelo é recomendado peloAmerican College of Surgeons como padrão de qualidade em centros oncológicos.

Após a definição da conduta, o cirurgião oncológico pode atuar em diferentes fases:

  • Neoadjuvância: a cirurgia acontece após quimio ou radioterapia, quando o objetivo é reduzir o tumor antes da operação.
  • Adjuvância: outros tratamentos são administrados depois da cirurgia para eliminar células residuais e reduzir o risco de recidiva.
  • Cirurgia como único tratamento: em estágios iniciais, a ressecção cirúrgica pode ser suficiente para o controle da doença.

Essa sequência não é arbitrária. Ela é definida pela equipe com base no tipo de câncer, no estadiamento, nas condições clínicas do paciente e nas evidências científicas disponíveis.

 

Por que escolher um cirurgião oncológico especializado faz diferença?

Nem toda cirurgia que envolve um tumor é realizada por um cirurgião oncológico. Essa distinção importa. O cirurgião oncológico passa por formação específica após a primeira residência médica, com treinamento voltado para os princípios oncológicos — margens cirúrgicas, linfonodos sentinela, reconstrução e manejo de complicações relacionadas ao câncer.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina, a cirurgia oncológica é uma especialidade reconhecida com requisitos próprios de habilitação. Isso garante que o profissional tenha o preparo técnico adequado para conduzir casos de alta complexidade dentro de um time multidisciplinar.

Para encontrar um especialista qualificado em todo o Brasil, a SBCO disponibiliza umaferramenta de busca por cirurgião oncológico em seu site.

 

Perguntas frequentes sobre cirurgia no tratamento do câncer

A cirurgia é sempre necessária no tratamento do câncer? Não. A indicação cirúrgica depende do tipo de tumor, do estadiamento e das condições do paciente. Em alguns casos, o tratamento clínico é suficiente. A definição é sempre feita em equipe multidisciplinar.

A cirurgia oncológica elimina o risco de recidiva? A cirurgia reduz significativamente esse risco quando realizada com margens adequadas. No entanto, o controle completo da doença geralmente envolve outros tratamentos associados, como quimioterapia ou radioterapia.

Como saber se tenho direito a uma cirurgia oncológica pelo SUS? O acesso ao tratamento cirúrgico oncológico pelo sistema público é garantido por lei. O caminho mais comum é o encaminhamento por um oncologista ou clínico geral para um centro de referência oncológica.

 

O cuidado integrado começa com a informação certa

O tratamento multidisciplinar do câncer com cirurgia oncológica não é apenas uma prática médica — é uma escolha ética que coloca o paciente no centro de todas as decisões. Cada especialidade contribui com seu conhecimento específico para construir um plano de cuidado mais seguro, eficaz e humanizado.

A SBCO tem o compromisso de levar informação de qualidade a pacientes, familiares e profissionais de saúde. Nosso papel é garantir que a cirurgia oncológica seja indicada, realizada e comunicada de forma ética e baseada em evidências.

 

Artigo revisado e assinado por:

Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, Cirurgião Oncológico | Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, Cirurgião Oncológico e Vice-Diretor de Comunicação(SBCO)

Autor:
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, fundada em 31 de maio de 1988, cuja finalidade é congregar cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado à pessoa com câncer.
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