Você já ouviu falar em cirurgia robótica e ficou com dúvidas sobre o que a diferencia das cirurgias tradicionais? Essa é uma das perguntas mais frequentes entre pacientes oncológicos e seus familiares — e a resposta envolve tanto avanços tecnológicos concretos quanto considerações importantes sobre indicação e segurança.
Neste artigo, explicamos como funciona cada abordagem cirúrgica, quais são os benefícios da cirurgia robótica em relação à cirurgia aberta e à laparoscópica, e por que nenhuma delas é superior em todos os casos. Continue a leitura e saiba mais!
As três abordagens cirúrgicas na oncologia
Antes de comparar, é importante entender o que distingue cada técnica.
Cirurgia aberta é a modalidade tradicional, em que o/a cirurgião/ã faz uma incisão ampla no abdome ou na região do tumor para acessar diretamente as estruturas a serem operadas. É a abordagem com maior acesso visual e manual direto — e segue sendo indispensável em casos de maior complexidade.
Cirurgia laparoscópica é uma abordagem minimamente invasiva, realizada por meio de pequenas incisões por onde são introduzidos uma câmera e instrumentos longos e rígidos. Reduziu significativamente o tempo de recuperação dos pacientes em comparação à cirurgia aberta e é amplamente utilizada em oncologia.
Cirurgia robótica é também minimamente invasiva, mas o/a cirurgião/ã opera a partir de um console, controlando braços robóticos com instrumentos articulados e câmera tridimensional em alta definição. O robô não opera de forma autônoma — é uma extensão tecnológica das mãos e da visão do/a cirurgião/ã.
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Quais são os benefícios da cirurgia robótica?
Quando comparada às modalidades tradicionais, a cirurgia robótica apresenta vantagens técnicas que se traduzem em benefícios clínicos para o/a paciente. As principais são:
Maior precisão nos movimentos. As pinças articuladas, aliadas ao suporte de imagem 3D em alta definição, conferem amplitude de movimento aprimorada e reduzem o tremor, permitindo dissecção e sutura intracorpóreas mais precisas. Isso é especialmente relevante em regiões anatomicamente estreitas, como a pelve.
Menor perda sanguínea e menor tempo de internação. O uso da cirurgia robótica em prostatectomias radicais, nefrectomias parciais e cirurgias colorretais evidencia menor perda sanguínea, menor tempo de internação e preservação de estruturas neurovasculares críticas, quando comparada à cirurgia aberta ou laparoscópica tradicional.
Menor taxa de conversão para cirurgia aberta. A cirurgia assistida por robô em comparação à laparoscopia apresentou resultados neutros ou positivos em relação à taxa de conversão para cirurgia aberta— ou seja, há menos necessidade de ampliar a incisão durante o procedimento.
Menor risco de complicações pós-operatórias. Em relação à cirurgia aberta, a robótica apresentou menores taxas de complicações na maioria das revisões avaliadas.
Recuperação mais rápida. Por se tratar de uma abordagem minimamente invasiva, as incisões são menores, a dor pós-operatória tende a ser menor e o retorno às atividades cotidianas costuma ocorrer mais cedo do que após cirurgias abertas.
Melhor ergonomia para o/a cirurgião/ã. A plataforma robótica reduz o esforço físico do/a operador/a durante procedimentos longos, o que contribui para a manutenção da precisão ao longo de todo o procedimento.
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Cirurgia robótica é sempre melhor?
Essa é uma questão importante — e a resposta honesta é: não necessariamente.
Até o momento, não há evidências claras de que a cirurgia oncológica assistida por robô seja superior à cirurgia aberta ou à laparoscopia. As vantagens permanecem fundamentadas nos benefícios conhecidos da cirurgia minimamente invasiva.
Além disso, quando analisado o tempo cirúrgico, a cirurgia por robô apresentou tempo cirúrgico igual ou maior em relação às cirurgias laparoscópicas— o que pode ser relevante em determinados contextos clínicos.
Isso não diminui o valor da tecnologia robótica. Significa, porém, que sua indicação deve ser criteriosa e individualizada. A cirurgia aberta segue sendo a melhor opção em tumores com invasão extensa de estruturas adjacentes, em emergências cirúrgicas e em situações em que o acesso direto ao campo operatório é indispensável. Já a laparoscópica mantém resultados excelentes e consolidados em diversas indicações oncológicas.
O papel decisivo do/a cirurgião/ã oncológico/a
A tecnologia robótica é uma ferramenta — e como toda ferramenta, seu resultado depende de quem a utiliza e de como a indicação foi feita. Antes do treinamento criterioso na plataforma robótica, o/a cirurgião/ã deve ser experiente na realização de cirurgias abertas e laparoscópicas. O robô não ensina a operar, mas potencializa os bons resultados que o/a cirurgião/ã experiente está habituado/a a ter.
Vale destacar que aSBCO possui uma habilitação específica em Cirurgia Robótica para seus membros, garantindo que os/as profissionais que realizam esses procedimentos tenham formação e capacitação reconhecidas pela Sociedade.
Além disso, em agosto de 2025, a CONITEC — Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS — recomendou a prostatectomia radical assistida por robô no tratamento do câncer de próstata localizado ou localmente avançado, abrindo caminho para padronizar um procedimento de alta complexidade que alia precisão, segurança e melhores resultados funcionais e oncológicos. Trata-se de um avanço histórico para o acesso dos pacientes brasileiros a essa tecnologia.
O que o/a paciente deve saber antes de decidir?
Se você ou um familiar está avaliando as opções cirúrgicas para o tratamento do câncer, algumas perguntas podem ajudar na conversa com o/a cirurgião/ã oncológico/a:
- A cirurgia robótica é tecnicamente indicada para o meu tipo e estágio de tumor?
- O serviço onde serei operado/a tem experiência e habilitação para esse procedimento?
- Quais são os riscos e benefícios em comparação com a cirurgia laparoscópica ou aberta no meu caso específico?
- O resultado oncológico — margens cirúrgicas e controle da doença — é equivalente entre as abordagens disponíveis?
A decisão deve sempre ser compartilhada entre o/a paciente e a equipe médica, com base em evidências e nas condições individuais de cada caso.
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