Recebi um resultado de NIC: devo me preocupar? Entenda o que significa.

Recebi um resultado de NIC: devo me preocupar? Entenda o que significa.

Por: PUBLICADO EM: 03 jul 2026

Se você recebeu um resultado indicando NIC 1, NIC 2 ou NIC 3, é natural ter dúvidas e preocupação. Essas siglas são utilizadas para descrever alterações nas células do colo do útero identificadas por meio da análise de uma biópsia, geralmente realizada após exames como o Papanicolaou e a colposcopia.

A sigla NIC significa Neoplasia Intraepitelial Cervical. Trata-se de uma classificação utilizada pelos patologistas para descrever alterações pré-cancerosas no revestimento do colo do útero, geralmente associadas à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV). Atualmente, essas alterações também podem ser classificadas como lesões de baixo grau (LSIL) ou alto grau (HSIL). Quanto mais extensa e persistente for a alteração celular, maior pode ser o risco de progressão para câncer ao longo dos anos. Por isso, o acompanhamento adequado é fundamental.

O que significa NIC e por que ela aparece?

Na maioria dos casos, a NIC surge após uma infecção persistente por alguns tipos de HPV considerados de alto risco oncogênico. A infecção pelo HPV é muito comum e, em cerca de 80% das mulheres, é eliminada naturalmente pelo organismo sem causar problemas de saúde.

Tradicionalmente, as lesões eram classificadas em:

  • NIC 1: lesão de baixo grau.
  • NIC 2: lesão de alto grau com características intermediárias.
  • NIC 3: lesão de alto grau.

Atualmente, NIC 2 e NIC 3 costumam ser agrupadas como lesões de alto grau (HSIL),por apresentarem maior potencial de progressão quando comparadas à NIC 1.

Entenda a diferença entre NIC1, NIC2 e NIC3:

DiagnósticoComo é considerado hojeConduta mais comum
NIC 1Lesão de baixo grau (LSIL)Acompanhamento
NIC 2Lesão de alto grau (HSIL)Individualizada
NIC 3Lesão de alto grau (HSIL)Tratamento recomendado

NIC 1

A NIC 1 é considerada uma lesão de baixo grau e frequentemente desaparece espontaneamente, especialmente em mulheres jovens. Estudos mostram que a maioria dessas lesões regride sem necessidade de tratamento, em até 60% a 80% das vezes.

Por isso, normalmente o acompanhamento clínico e a repetição dos exames podem ser suficientes.

NIC 2

A NIC 2 é uma lesão de alto grau que apresenta comportamento biológico variável. Em mulheres jovens, especialmente abaixo dos 25 anos, parte dessas lesões pode regredir espontaneamente. Por isso, o tratamento ou acompanhamento devem ser individualizados.

A decisão terapêutica depende de fatores como idade, desejo reprodutivo e persistência da lesão.

NIC 3

A NIC 3 é considerada uma lesão de alto grau e apresenta maior risco de persistência e progressão para câncer caso não seja tratada. Apesar disso, ainda não corresponde a um câncer invasivo. Quando diagnosticada e tratada adequadamente, as taxas de cura são muito elevadas, e se previne a evolução para câncer.

O que fazer após receber o resultado?

Receber um diagnóstico de NIC pode gerar preocupação. No entanto, seguir as orientações médicas é a melhor forma de proteger a saúde.

Os próximos passos geralmente incluem:

  1. Retornar ao ginecologista com o resultado dos exames.
  2. Realizar exames complementares quando indicados.
  3. Seguir o cronograma de acompanhamento recomendado.
  4. Avaliar necessidade de tratamento específico.
  5. Manter os exames preventivos em dia.

Evite buscar informações em fontes não confiáveis ou interromper o acompanhamento médico por conta própria.

Cada caso é único. Por isso, o plano terapêutico deve ser individualizado.

Quando algum procedimento pode ser necessário?

Em lesões de alto grau, especialmente nos casos de NIC 3 e em algumas situações de NIC 2, pode ser indicado um procedimento para remoção da área alterada do colo uterino.

Entre as técnicas mais utilizadas estão:

  • Cirurgia de alta frequência (CAF);
  • Exérese da zona de transformação;
  • Conização cervical.

O objetivo é remover completamente as células alteradas e impedir sua progressão.

Esses procedimentos costumam ser realizados por ginecologistas com treinamento em colposcopia e patologia cervical. Em situações específicas, outros especialistas, como cirurgiões oncológicos  podem participar da avaliação e do tratamento.

Como prevenir alterações no colo do útero?

A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de câncer do colo do útero.

As principais recomendações incluem:

  • Vacinação contra HPV;
  • Uso de preservativos;
  • Realização periódica do exame preventivo;
  • Acompanhamento médico regular;
  • Abandono do tabagismo;
  • Vacinação contra HPV mesmo após tratamento de lesões do colo, quando recomendada pelo médico.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação e o rastreamento adequado são ferramentas fundamentais para reduzir a incidência e a mortalidade da doença no Brasil.

A importância do diagnóstico precoce

Entender o que significa NIC ajuda pacientes a tomarem decisões mais conscientes sobre sua saúde.

A maioria das alterações identificadas precocemente pode ser acompanhada ou tratada antes que se transforme em câncer, o que torna o rastreamento uma das estratégias mais eficazes de prevenção.

Perguntas frequentes:

NIC 1 é câncer?

Não. NIC 1 é uma lesão de baixo grau e não é considerada câncer.

NIC 3 significa câncer?

Não. NIC 3 é uma lesão pré-cancerosa de alto grau, mas ainda não corresponde a câncer invasivo. Embora seja uma lesão de alto grau, a NIC 3 ainda está restrita à camada superficial do colo do útero e não invadiu tecidos mais profundos.

Toda NIC precisa de cirurgia?

Não. Muitas lesões de baixo grau são apenas acompanhadas clinicamente.

O HPV sempre causa NIC?

Não. A maioria das infecções por HPV desaparece espontaneamente sem causar alterações significativas.

Recebeu um resultado de NIC e tem dúvidas sobre os próximos passos? Busque orientação médica especializada e acompanhe os conteúdos educativos da SBCO para acessar informações confiáveis sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer.

Para saber mais sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer, acesse o portal da SBCO e, também, consulte informações oficiais do Instituto Nacional de Câncer.

O HPV significa que meu parceiro me traiu?

Não. O HPV é extremamente comum e pode permanecer no organismo por anos antes de ser detectado. O diagnóstico não permite saber quando a infecção foi adquirida ou quem a transmitiu.

Posso engravidar após tratar uma NIC?

Na maioria dos casos, sim. Os tratamentos utilizados para NIC costumam preservar a fertilidade, embora cada situação deva ser avaliada individualmente.

A lesão pode voltar?

Sim. Algumas mulheres podem apresentar recorrência da lesão ou nova infecção por HPV. Por isso, o acompanhamento após o tratamento é fundamental.

Assinatura técnica

Dra Audrey Tsunoda, Coordenadora da Comissão de Ginecologia Oncológica da SBCO; Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, cirurgião oncológico e Diretor Nacional de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, cirurgião oncológico e Vice-Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. 

Autor:
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, fundada em 31 de maio de 1988, cuja finalidade é congregar cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado à pessoa com câncer.
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