Diagnóstico: Cisto no ovário pode virar câncer?

Diagnóstico: Cisto no ovário pode virar câncer?

Por: PUBLICADO EM: 18 maio 2026

Você foi diagnosticada com cisto no ovário e ficou com dúvidas sobre se essa condição pode evoluir para um câncer? Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório ginecológico — e a resposta, felizmente, traz alívio para a maioria das mulheres.

Neste artigo, explicamos a diferença entre o cisto ovariano e ocâncer de ovário, os tipos de cisto, os sintomas mais comuns, como é feito o diagnóstico e quando procurar um/a especialista. Continue a leitura e saiba mais!

O que é o cisto no ovário?

O cisto ovariano é uma espécie de bolsa preenchida com líquido que se forma dentro ou sobre um dos ovários. Essas formações são bastante comuns, especialmente em mulheres em idade fértil, entre os 15 e os 35 anos.

Na maioria dos casos, o cisto desaparece sozinho, sem necessidade de qualquer intervenção médica. Os chamados cistos funcionais têm origem hormonal e podem ser classificados em três tipos:

  • Cisto folicular: forma-se quando o folículo não se rompe durante a ovulação ou quando um folículo imaturo não reabsorve o líquido adequadamente;
  • Cisto de corpo lúteo: ocorre após a ovulação, causado por um aumento na secreção de progesterona, resultando em acúmulo de líquido;
  • Cisto de Teca-luteína: mais raro, está associado à estimulação prolongada dos ovários — pode ocorrer após uso de medicamentos para induzir a ovulação, em gestações com placenta grande ou em mulheres com diabetes.

Qual a diferença entre cisto no ovário e câncer de ovário?

As duas condições são bem distintas, embora ocorram no mesmo órgão.

O cisto ovariano é, em geral, benigno: forma-se a partir das cavidades repletas de líquido nos ovários e, na maioria das vezes, se resolve naturalmente ao fim do ciclo menstrual.

Já o câncer de ovário é resultado da reprodução desordenada das células do tecido que reveste o ovário, das que formam os óvulos ou das que produzem hormônios femininos. Trata-se de uma condição completamente diferente do cisto, tanto na origem quanto no comportamento.

Em relação ao perfil das pacientes, os cistos ocorrem com mais frequência em mulheres em idade fértil. O câncer de ovário, por sua vez, atinge mais mulheres acima dos 55 anos, sendo mais comum na perimenopausa e na pós-menopausa.

Cisto no ovário pode virar câncer?

Não. A presença de cistos no ovário não é fator de risco para o surgimento do câncer na região. O cisto é, em geral, benigno e não configura uma lesão pré-cancerosa.

Portanto, se você foi diagnosticada com cisto no ovário, não é necessário se alarmar. Isso, no entanto, não dispensa a rotina de acompanhamento ginecológico, a que todas as mulheres devem estar atentas.

Vale destacar que o câncer de ovário é uma condição séria: segundo aEstimativa 2026–2028 do INCA, o Brasil deve registrar aproximadamente 7.300 novos casos de câncer de ovário por ano no período. Por isso, o acompanhamento regular com um/a especialista é fundamental — independentemente do diagnóstico de cisto.

Leia também:Exames de rotina: entenda a importância na detecção precoce do câncer

Quais são os sintomas do cisto no ovário?

Em geral, o cisto no ovário desaparece sem apresentar qualquer sintoma. Quando os sinais aparecem, os mais comuns são:

  • menstruação irregular;
  • fluxo menstrual intenso;
  • sangramento fora do período menstrual;
  • dor na região dos ovários durante a ovulação;
  • dor pélvica antes ou durante a menstruação;
  • sensação de barriga inchada ou dolorida;
  • dores intestinais;
  • desconforto ou dor durante as relações sexuais;
  • náuseas e vômitos.

Se você apresentar esses sintomas de forma persistente, procure um/a médico/a para avaliação.

Como é feito o diagnóstico?

Ao avaliar os sintomas, o/a médico/a pode solicitar exames ginecológicos de rotina. Em alguns casos, com o passar do tempo, os cistos desaparecem espontaneamente. Quando é necessário investigar com mais detalhes, os principais exames de imagem utilizados são:

Ultrassonografia pélvica transvaginal É o exame mais utilizado para avaliação dos ovários. Por meio de ondas sonoras de alta frequência, consegue identificar o tamanho do cisto e sua composição — se está preenchido com líquido (cisto simples) ou se é sólido (cisto complexo). O cisto complexo pode exigir investigação adicional, pois há maior possibilidade de malignidade.

Ressonância nuclear magnética da pelve Quando a ultrassonografia levanta suspeita, a ressonância magnética oferece maior precisão, permitindo avaliar o tamanho, a quantidade de lesões, as alterações fisiológicas e o metabolismo celular.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento do cisto no ovário depende do tipo da formação e das condições clínicas individuais de cada paciente. As principais condutas são:

  • Acompanhamento regular, para confirmar que o cisto diminuiu ou desapareceu ao longo do tempo;
  • Uso de anticoncepcionais hormonais, para regular os níveis hormonais em alguns casos;
  • Investigação complementar, quando identificado um cisto de maior risco — o que pode incluir a dosagem do marcador tumoral CA-125 no sangue.

Como sempre reforçamos: toda decisão terapêutica deve ser individualizada. Apenas após a consulta e com os resultados dos exames em mãos é possível definir a melhor conduta para cada caso.

Leia também:Cirurgia oncológica e tratamento multidisciplinar: entenda a importância

Se quiser ter mais informações sobre como cuidar da saúde e prevenir o câncer, siga a SBCO no Instagram e no Facebook e receba nossas atualizações em primeira mão.

Autor:
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, fundada em 31 de maio de 1988, cuja finalidade é congregar cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado à pessoa com câncer.
Buscar Especialista