Você sabia que o câncer de ovário é considerado o mais letal entre os tumores ginecológicos justamente por ser silencioso? Na maioria das vezes, ele não provoca sintomas claros nos estágios iniciais — o que torna o diagnóstico precoce um dos maiores desafios da área de tumores ginecológicos.
Neste artigo, explicamos quais exames são utilizados na investigação do câncer de ovário, esclarecemos mitos importantes sobre rastreamento e reforçamos o papel da avaliação clínica especializada. Continue a leitura e saiba mais!
Por que o diagnóstico precoce é tão importante?
Aproximadamente 75% dos diagnósticos de câncer de ovário são concluídos quando a doença já se espalhou para outros órgãos. Quando identificado em estágio avançado, as opções de tratamento tornam-se mais complexas e as chances de cura diminuem significativamente.
Por outro lado, quando o diagnóstico chega rápido, a taxa de sobrevida pode chegar a 80% em cinco anos. Esse dado reforça por que a atenção aos sinais de alerta e o acompanhamento médico regular fazem toda a diferença.
Segundo a Estimativa 2026–2028 do INCA, o Brasil deve registrar aproximadamente 7.300 novos casos de câncer de ovário por ano no período — o que torna a conscientização sobre o tema ainda mais urgente.
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Existe rastreamento para o câncer de ovário?
Essa é uma dúvida muito comum — e a resposta é importante para desfazer um equívoco frequente.
Não existe, até o momento, um programa de rastreamento recomendado para a população geral. Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de ovário traga mais benefícios do que riscos. Isso significa que fazer exames de rotina indiscriminadamente em mulheres sem sintomas e sem fatores de risco pode levar a resultados falso-positivos e a procedimentos desnecessários.
Como os cânceres de ovário muitas vezes aparecem rapidamente, raramente são detectados em estágios iniciais, e fazer exames periódicos não diminui a mortalidade das mulheres rastreadas.
Isso não significa que os exames não têm utilidade — significa que sua indicação deve ser criteriosa, feita por um/a especialista com base no perfil clínico e nos fatores de risco de cada paciente.
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Mito: o Papanicolau detecta o câncer de ovário
Antes de falar sobre os exames indicados, é essencial esclarecer um equívoco muito comum: o Papanicolau não detecta o câncer de ovário. Esse exame preventivo é específico para detectar o câncer do colo do útero. Confundir os dois pode dar uma falsa sensação de proteção a quem está em grupos de risco para o câncer ovariano.
Quais exames são utilizados na investigação do câncer de ovário?
Os exames são indicados pelo/a médico/a para mulheres que apresentam sintomas suspeitos ou fatores de risco específicos. Os principais são:
Ultrassonografia pélvica transvaginal É o exame de imagem mais utilizado na suspeita de câncer de ovário. Por meio dele, avalia-se a presença de cistos ou massas nos ovários — porém, o transvaginal pode resultar em frequentes falsos positivos, o que leva algumas mulheres a realizar cirurgias desnecessárias. Por isso, seu resultado deve ser sempre interpretado por um/a especialista, dentro do contexto clínico da paciente.
Marcador tumoral CA-125 É um exame de sangue que mede os níveis de uma proteína chamada antígeno cancerígeno 125 (CA-125),que pode estar elevada em mulheres com câncer de ovário. Cerca de 80% das mulheres com câncer de ovário apresentam CA-125 elevado — mas é um exame pouco confiável para o diagnóstico inicial, pois outras condições benignas também podem elevar esse marcador. Seu uso é mais estabelecido no monitoramento do tratamento e na detecção de recidivas.
Ressonância magnética Quando os exames iniciais levantam suspeita, a ressonância magnética é o exame de imagem complementar de escolha para a avaliação de massas anexiais, permitindo analisar com maior precisão suas características, tamanho, localização e possível comprometimento de estruturas adjacentes. A tomografia computadorizada, por sua vez, não é o método mais adequado para a avaliação de massas ovarianas, sendo utilizada principalmente para o estadiamento após a confirmação diagnóstica.
Biópsia É o único exame que confirma definitivamente o diagnóstico de câncer. Nas massas ovarianas suspeitas, a biópsia deve ser realizada por via cirúrgica — as técnicas percutâneas (como punção guiada por imagem) não são indicadas nesses casos, pois podem comprometer o estadiamento e o prognóstico da paciente. O procedimento cirúrgico permite a confirmação do tumor, a determinação do seu tipo histológico e o estadiamento adequado da doença.
Teste genético (painel BRCA) Para mulheres com histórico familiar de câncer de ovário, mama, colorretal ou endométrio, pode ser indicada a investigação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Esses exames genéticos permitem identificar mutações e, quando necessário, possibilitam monitoramento intensificado, aconselhamento genético e, em alguns casos, cirurgias preventivas, ampliando as chances de diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Quem tem maior risco e deve estar mais atenta?
Algumas mulheres têm indicação de acompanhamento mais próximo com um/a especialista. Os principais fatores de risco para o câncer de ovário são:
- histórico pessoal ou familiar de câncer de ovário, mama, colorretal ou endométrio;
- mutações genéticas nos genes BRCA1 ou BRCA2;
- menopausa tardia (após os 52 anos) ou menarca precoce (antes dos 12 anos);
- nuliparidade (nunca ter tido filhos);
- uso prolongado de terapia hormonal pós-menopausa;
- idade acima de 55 anos.
Se você se enquadra em um ou mais desses fatores, informe seu/sua médico/a e discuta a necessidade de uma avaliação especializada mais frequente.
Qual é o papel do/a cirurgião/ã oncológico/a nessa investigação?
A única forma de detectar o câncer de ovário precocemente é por meio de exames específicos,indicados pelo Cirurgião Oncológico, Ginecologista ou pelo Oncologista Clínico para pessoas que apresentam fatores de risco e/ousintomas suspeitos.
O/acirurgião/ã oncológico/a é o/a profissional habilitado/a para conduzir essa investigação de forma segura e individualizada — interpretando os resultados dos exames dentro do contexto clínico de cada paciente, evitando tanto o subdiagnóstico quanto procedimentos desnecessários.
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