A HIPEC (quimioterapia intraperitoneal hipertérmica) é um tratamento realizado durante a cirurgia oncológica, no qual medicamentos quimioterápicos aquecidos são aplicados diretamente na cavidade abdominal. Essa técnica é indicada para pacientes selecionados com tumores que acometem o peritônio e tem como objetivo eliminar células cancerígenas remanescentes após a retirada dos tumores visíveis. Segundo a Peritoneal Surface Oncology Group International (PSOGI), a HIPEC pode trazer benefícios quando utilizada em casos específicos e em centros especializados.
A indicação desse tratamento depende de uma avaliação criteriosa realizada por um cirurgião oncológico e por umaequipe multidisciplinar.Nem todos os pacientes com câncer são candidatos ao procedimento.
O que é HIPEC e como ela funciona?
A HIPEC é realizada logo após a cirurgia de citorredução, procedimento que remove todas as lesões tumorais visíveis da cavidade abdominal.
Após essa etapa, uma solução contendo medicamentos quimioterápicos aquecidos, geralmente entre 41°C e 43°C, circula pela cavidade abdominal durante um período determinado, que varia conforme o protocolo utilizado.
Segundo a National Comprehensive Cancer Network (NCCN), o calor potencializa a ação de alguns quimioterápicos e favorece sua penetração nos tecidos, enquanto a aplicação local permite concentrações elevadas da medicação na região tratada, reduzindo parte da exposição sistêmica.
Quando a HIPEC pode ser indicada?
A indicação da HIPEC depende do tipo de câncer, da extensão da doença e das condições clínicas do paciente.
De acordo com as recomendações da European Society for Medical Oncology (ESMO), ela pode ser considerada em pacientes selecionados com:
- pseudomixoma peritoneal;
- mesotelioma peritoneal;
- alguns casos de câncer colorretal com disseminação peritoneal;
- alguns tumores do apêndice;
- situações específicas de câncer de ovário, conforme avaliação individual.
Cada caso deve ser discutido por uma equipe multidisciplinar especializada.
Quais são os objetivos da HIPEC?
A HIPEC não substitui a cirurgia. Ela complementa o tratamento após a retirada dos tumores visíveis.
Entre seus principais objetivos estão:
- destruir células tumorais microscópicas que permaneceram na cavidade abdominal;
- reduzir o risco de recorrência local em pacientes selecionados;
- potencializar o efeito da quimioterapia com o uso do calor;
- contribuir para um melhor controle da doença quando indicada.
Como é realizado o procedimento?
O tratamento ocorre em uma única cirurgia. As etapas são:
- Avaliação criteriosa do paciente.
- Cirurgia de citorredução para remoção das lesões visíveis.
- Circulação da quimioterapia aquecida na cavidade abdominal.
- Retirada da solução e encerramento da cirurgia.
Todo o procedimento é realizado em ambiente hospitalar por equipes treinadas e experientes.
Quais são os benefícios e os riscos?
A HIPEC pode oferecer benefícios importantes quando bem indicada. Entre eles:
- maior controle da doença em pacientes selecionados;
- tratamento localizado;
- possibilidade de atingir células microscópicas que não podem ser removidas pela cirurgia;
- associação com melhores resultados em alguns tipos específicos de tumores peritoneais.
Entretanto, trata-se de um procedimento complexo.
Como qualquer cirurgia de grande porte, pode estar associada a complicações, como infecções, sangramentos, alterações intestinais e necessidade de recuperação prolongada.
Por isso, a seleção adequada do paciente é considerada um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento.
Quem pode realizar a HIPEC?
A Society of Surgical Oncology (SSO) recomenda que a HIPEC seja realizada em centros especializados, com equipes experientes em cirurgia oncológica e tratamento das doenças da superfície peritoneal.
O planejamento envolve cirurgião oncológico, oncologista clínico, anestesiologista, patologista, radiologista e diversos outros profissionais.
Essa atuação integrada garante maior segurança durante todas as etapas do tratamento.
Para entender melhor o papel desse especialista, acesse a página “O que faz um cirurgião oncológico?” no portal da SBCO.
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Artigo revisado e assinado por: Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, Cirurgião Oncológico | Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, Cirurgião Oncológico | Vice-Diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)


