Não, a cirurgia não espalha o tumor quando realizada com indicação adequada e técnicas oncológicas apropriadas. A ideia de que cirurgia espalha o tumor é um mito que ainda gera insegurança. Evidências e instituições de referência mostram que a cirurgia é um dos principais tratamentos para diversos tumores sólidos.
Esse receio merece ser esclarecido porque pode levar pacientes a adiar um tratamento potencialmente importante. A indicação cirúrgica deve sempre considerar o tipo de câncer, o estadio da doença e as condições individuais do paciente.
Por que existe o mito de que cirurgia espalha o tumor?
A crença pode estar relacionada a situações em que uma doença mais extensa é identificada durante uma operação.
Em alguns casos, exames realizados antes do procedimento não conseguem demonstrar toda a extensão do câncer. Durante a cirurgia, a equipe pode encontrar áreas da doença que já estavam presentes.
Isso não significa que o procedimento provocou a disseminação. A American Cancer Society explica que o câncer identificado durante a operação já poderia estar presente, mesmo sem aparecer nos exames anteriores.
Outro mito frequente afirma que o contato do tumor com o ar poderia fazê-lo crescer ou se disseminar. Não há evidência de que a exposição ao ar faça o câncer se espalhar.
Por isso, o medo de que a cirurgia espalha o tumor não deve ser motivo para abandonar ou adiar um tratamento recomendado.
Cirurgia espalha o tumor ao manipular as células cancerígenas?
A possibilidade de disseminação relacionada diretamente a procedimentos é considerada muito baixa. Existem situações específicas nas quais determinados tumores exigem cuidados particulares. Essas exceções são conhecidas pelos especialistas e influenciam o planejamento do procedimento.
Os cirurgiões oncológicos são capacitados para realizar procedimentos seguindo princípios técnicos destinados ao tratamento seguro do câncer.
O planejamento pode envolver:
- avaliação dos exames de imagem;
- análise da localização e extensão do tumor;
- definição das margens cirúrgicas;
- avaliação dos linfonodos quando indicada;
- escolha da técnica mais adequada;
- discussão do caso com a equipe multidisciplinar.
Cada operação é planejada conforme as características do câncer e do paciente.
A cirurgia também pode ter diferentes objetivos. Ela pode ser utilizada para remover um tumor, auxiliar no diagnóstico ou aliviar sintomas em situações específicas.
Para conhecer mais sobre a especialidade, acesse osite da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.
E a biópsia pode fazer o câncer se espalhar?
Essa dúvida costuma aparecer junto ao mito de que cirurgia espalha o tumor.
Na grande maioria das situações, o risco de uma biópsia provocar disseminação é extremamente baixo. Técnicas modernas e o planejamento adequado reduziram ainda mais essa possibilidade.
Existem exceções para alguns tipos específicos de tumores. Nesses casos, a equipe médica escolhe outra estratégia para obter o diagnóstico ou realizar o tratamento.
A biópsia tem papel fundamental na investigação do câncer. A análise do tecido pode identificar o tipo de tumor e fornecer informações importantes para definir a conduta.
Por isso, pacientes não devem deixar de realizar uma biópsia indicada por medo de disseminação. Dúvidas individuais devem ser discutidas com a equipe responsável.
AAmerican Cancer Society disponibiliza informações adicionais sobre cirurgia e seus possíveis riscos.
Quando a cirurgia oncológica pode ser indicada?
A indicação depende de vários fatores. Entre eles estão tipo de câncer, localização, estádio, características biológicas e condições clínicas do paciente.
Em tumores localizados, a cirurgia pode ser uma das principais opções terapêuticas. Em outros casos, pode ser combinada com quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou outros tratamentos.
Também existem situações nas quais a melhor estratégia não envolve cirurgia.
Por isso, dois pacientes com o mesmo tipo de câncer podem receber recomendações diferentes. O planejamento individualizado é essencial.
No Brasil, pacientes podem buscar avaliação de cirurgiões oncológicos capacitados para analisar o caso e discutir as possibilidades de tratamento.
O que perguntar antes de uma cirurgia oncológica?
Receber uma indicação cirúrgica pode trazer muitas dúvidas. Informação confiável ajuda o paciente a participar das decisões sobre o próprio cuidado.
Algumas perguntas importantes são:
- Qual é o objetivo da cirurgia no meu caso?
- Existem outras opções de tratamento?
- Como será realizado o procedimento?
- Quais são os possíveis benefícios e riscos?
- Como será a recuperação?
- Poderei precisar de outros tratamentos depois?
A decisão deve ser compartilhada entre paciente e equipe, considerando evidências científicas e características individuais.
Portanto, quando surgir a dúvida “cirurgia espalha o tumor?”, a resposta geral é não. Esse mito não deve impedir a busca por avaliação especializada.
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Artigo revisado e assinado por: Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, Cirurgião Oncológico | Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, Cirurgião Oncológico | Vice-Diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)


