Videolaparoscopia: o que é, indicações e vantagens

Videolaparoscopia: o que é, indicações e vantagens

Por: PUBLICADO EM: 19 out 2026

A videolaparoscopia é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva realizada por pequenas incisões, com auxílio de uma câmera e instrumentos específicos. Na oncologia, pode ser utilizada para diagnóstico, estadiamento e tratamento de determinados tumores. Sua indicação depende do tipo de câncer, estádio da doença, localização do tumor e condições clínicas do paciente.

O que é videolaparoscopia?

Na cirurgia aberta convencional, geralmente é necessária uma incisão maior para acessar a região que será operada.

Na videolaparoscopia, o acesso é realizado por pequenas incisões. Por elas, o cirurgião introduz uma câmera, chamada laparoscópio, e os instrumentos necessários para realizar o procedimento.

As imagens captadas são transmitidas para monitores no centro cirúrgico. Isso permite visualizar as estruturas internas durante a operação.

Segundo oNational Cancer Institute (NCI), essa técnica faz parte das chamadas cirurgias minimamente invasivas, procedimentos realizados por meio de pequenas incisões, com auxílio de instrumentos e tecnologias que permitem ao cirurgião acessar e operar a região necessária sem realizar grandes cortes.

A SBCO também explica as diferenças entre técnicas cirúrgicas no conteúdoTire suas dúvidas sobre a especialidade Cirurgia Oncológica.

Quando a videolaparoscopia pode ser indicada?

Na oncologia, a técnica pode ter diferentes finalidades. A escolha precisa respeitar os mesmos princípios de segurança e qualidade utilizados em outras abordagens cirúrgicas.

Dependendo do caso, ela pode ser utilizada para:

  • realizar biópsias;
  • avaliar a extensão de determinados tumores;
  • auxiliar no estadiamento da doença;
  • remover tumores e tecidos comprometidos;
  • realizar cirurgias de órgãos abdominais e pélvicos.

Tumores do aparelho digestivo e ginecológicos estão entre aqueles que podem ser tratados por técnicas minimamente invasivas em casos selecionados.

A SBCO aborda essas possibilidades no conteúdo sobrecirurgia oncológica do aparelho digestivo.

A decisão, porém, é individualizada. Nem todo câncer que necessita de cirurgia pode ser tratado dessa forma.

 

Quais são as vantagens da videolaparoscopia?

Quando corretamente indicada, a videolaparoscopia pode oferecer benefícios relacionados principalmente à recuperação pós-operatória.

Entre as possíveis vantagens estão:

  • incisões menores;
  • menor dor após determinados procedimentos;
  • cicatrizes menores;
  • menor agressão aos tecidos;
  • recuperação mais rápida em casos selecionados;
  • possibilidade de menor tempo de internação.

O NCI informa que procedimentos minimamente invasivos podem estar associados a menos dor, cicatrizes menores e recuperação mais rápida que cirurgias tradicionais.

Isso não significa que esses benefícios ocorram da mesma forma em todos os pacientes. A extensão da operação e as condições individuais também influenciam a recuperação.

Videolaparoscopia ou cirurgia aberta?

Não existe uma técnica ideal para todos os tipos de câncer.

AbordagemComo é realizada
VideolaparoscopiaUtiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos cirúrgicos
Cirurgia abertaUtiliza uma incisão maior para acesso direto à área operada
Cirurgia robóticaUtiliza pequenas incisões e instrumentos controlados por sistema robótico (sendo este sistema controlado por um cirurgião, utilizando câmera de visão 3D)

Em alguns tumores, a abordagem minimamente invasiva apresenta resultados oncológicos adequados quando realizada em pacientes selecionados.

No câncer de cólon, por exemplo, estudos citados pelo NCI encontraram resultados semelhantes entre colectomia laparoscópica e aberta para grupos específicos de pacientes.

Por outro lado, isso não pode ser generalizado para todos os cânceres.

No câncer do colo do útero em estadio inicial, estudos demonstraram piores resultados com determinadas cirurgias minimamente invasivas quando comparadas à abordagem aberta.

Portanto, incisões menores não significam automaticamente uma cirurgia melhor. Segurança oncológica e resultados de longo prazo precisam orientar a decisão.

Como é realizada a cirurgia?

Embora cada operação tenha particularidades, a videolaparoscopia geralmente envolve algumas etapas.

  1. Avaliação pré-operatória: exames ajudam a definir a indicação e o planejamento.
  2. Anestesia: o procedimento é realizado em ambiente hospitalar, geralmente sob anestesia geral.
  3. Pequenas incisões: são criados acessos para a câmera e os instrumentos.
  4. Procedimento cirúrgico: o cirurgião realiza a operação acompanhando imagens ampliadas em monitores.
  5. Finalização: os instrumentos são retirados e as incisões são fechadas.

Em algumas situações, pode ser necessário converter a operação para cirurgia aberta. Essa mudança pode ocorrer por questões técnicas ou de segurança.

Como é a recuperação?

O período de recuperação varia conforme o procedimento, o órgão operado e as condições clínicas do paciente.

Mesmo sendo uma técnica menos invasiva, a laparoscopia continua sendo uma cirurgia. Por isso, exige cuidados pós-operatórios e acompanhamento médico.

As orientações podem envolver alimentação, movimentação, cuidados com as incisões, medicamentos e retorno gradual às atividades.

Sintomas ou alterações inesperadas durante a recuperação devem ser comunicados à equipe responsável.

Qual é o papel do cirurgião oncológico?

O cirurgião oncológico avalia se a cirurgia faz parte da melhor estratégia terapêutica e qual abordagem é mais adequada.

Essa decisão considera exames, diagnóstico anatomopatológico, estagio, localização do tumor e tratamentos realizados ou planejados.

Em muitos casos, a definição ocorre em conjunto com uma equipe multidisciplinar.

Mais importante do que escolher a técnica com a menor incisão é realizar o procedimento adequado, respeitando os princípios da cirurgia oncológica.

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Artigo revisado e assinado por: Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, Cirurgião Oncológico | Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, Cirurgião Oncológico | Vice-Diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)

Autor:
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, fundada em 31 de maio de 1988, cuja finalidade é congregar cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado à pessoa com câncer.
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