Os cânceres mais comuns nas mulheres representam um desafio significativo para a saúde pública no Brasil e no mundo. Identificar quais tipos apresentam maior incidência, compreender seus fatores de risco e conhecer as estratégias de prevenção são passos fundamentais para reduzir a mortalidade feminina.
De acordo com aOrganização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama é o tumor maligno mais frequentemente diagnosticado em mulheres em nível global, tanto em incidência quanto em mortalidade.
No Brasil, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) confirmam que o câncer de mama lidera as estimativas de novos casos entre mulheres, seguido pelo câncer colorretal e pelo câncer de colo do útero, dependendo da região do país.
Quais são os cânceres mais comuns nas mulheres?
Câncer de mama
Ocâncer de mama é um dos cânceres mais comuns nas mulheres, excluindo os tumores de pele não melanoma. Mundialmente, ele representa cerca de 25% dos casos de câncer feminino.
Ele se origina, na maioria das vezes, nos ductos ou lóbulos mamários e pode se disseminar para outras partes do corpo se não diagnosticado e tratado precocemente.
Adetecção precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Amamografia é o principal exame de rastreamento. No Brasil, o INCArecomenda a mamografia de rastreamento para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos, na população geral de risco habitual.
Mais recentemente, oMinistério da Saúde ampliou as estratégias de acesso ao exame no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, mulheres a partir dos 40 anos podem realizar a mamografia, mesmo sem sinais ou sintomas, mediante avaliação médica. Além disso, a faixa etária do rastreamento preventivo foi estendida até os 74 anos, mantendo a recomendação de realização do exame a cada dois anos.
Essas medidas buscam ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, etapa essencial para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade associada ao câncer de mama.
Câncer de colo do útero
O câncer de colo do úteroestá entre os tumores mais incidentes nas mulheres brasileiras, especialmente em regiões com menor acesso a serviços de saúde.
A doença está associada principalmente à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV),um vírus de transmissão sexual responsável pela grande maioria dos casos. A vacinação contra o HPV, oferecida pelo Programa Nacional de Imunizações, é uma das estratégias mais eficazes de prevenção.
Tradicionalmente, o rastreamento é realizado por meio do exame citopatológico (Papanicolau),recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram atividade sexual.
Nos últimos anos, o Brasil avançou na implementação de um modelo de rastreamento organizado, que inclui também testes moleculares para detecção do DNA do HPV oncogênico. Esse exame apresenta maior sensibilidade para identificar infecções por tipos de HPV associados ao câncer e pode detectar o risco antes mesmo do surgimento de alterações celulares. A estratégia foi incorporada às novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero, publicadas pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de tornar a prevenção e o diagnóstico precoce mais eficazes.
Outros cânceres relevantes na população feminina
Além do câncer de mama e do câncer de colo do útero, outros tipos também apresentam incidência significativa entre mulheres.
Câncer colorretal
Tem aumentado sua relevância epidemiológica e está entre os tumores mais incidentes no Brasil. O risco aumenta com a idade e está associado a fatores como alimentação inadequada, obesidade, sedentarismo e histórico familiar.
Câncer de tireoide
É mais frequente em mulheres do que em homens. Em muitos casos apresenta bom prognóstico quando diagnosticado precocemente.
Câncer de pulmão
Associado principalmente ao tabagismo, mas também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram, devido à exposição a poluentes ambientais e fatores genéticos.
Câncer de ovário
Embora seja menos frequente, costuma apresentar maior risco de diagnóstico tardio, pois frequentemente não apresenta sintomas claros nos estágios iniciais.
Câncer de pele
O câncer de pele é um dos tipos mais frequentes no Brasil. A exposição excessiva ao sol sem proteção adequada, o histórico de queimaduras solares e o uso de bronzeamento artificial são fatores de risco importantes.
A utilização regular de protetor solar, evitar exposição solar nos horários de maior radiação e realizar avaliação dermatológica quando surgirem pintas ou lesões suspeitas são medidas fundamentais de prevenção.
Cada um desses cânceres apresenta fatores de risco específicos e estratégias próprias de diagnóstico e prevenção.
Estatísticas dos cânceres mais comuns nas mulheres
Segundo as estimativas mais recentes do INCA (triênio 2026–2028), são esperados aproximadamente:
- 78 mil novoscasos de câncer de mama por ano no Brasil
• Cerca de 19 mil novoscasos anuais de câncer de colo do útero
O câncer de mama também permanece entre as principais causas de morte por câncer em mulheres brasileiras.
Esses dados reforçam a importância das políticas públicas de rastreamento, vacinação e educação em saúde.
Como diagnosticar os cânceres mais comuns nas mulheres?
Odiagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos mais agressivos.
Entre os principais exames estão:
- Mamografia (rastreamento do câncer de mama)
• Exame citopatológico – Papanicolau
• Testes moleculares para detecção do HPV
• Colonoscopia (rastreamento do câncer colorretal, conforme indicação médica)
• Exame clínico realizado por profissional de saúde
Quando há suspeita clínica ou alteração em exames de rastreamento, podem ser indicados exames complementares, como ultrassonografia, biópsia, ressonância magnética ou tomografia, conforme protocolos estabelecidos por sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).
Prevenção dos cânceres mais comuns nas mulheres
Embora fatores como idade e predisposição genética não possam ser modificados, diversas medidas ajudam a reduzir o risco de desenvolvimento do câncer:
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e fibras;
• Praticar atividade física regularmente;
• Evitar oconsumo excessivo de álcool;
• Não fumar;
• Realizar exames de rastreamento conforme orientação médica;
• Vacinar-se contra o HPV, conforme calendário do Ministério da Saúde;
• Utilizar protetor solar e evitar exposição solar excessiva;
• Manter acompanhamento médico regular.
É importante destacar que o autoexame das mamas pode auxiliar no reconhecimento de alterações, mas não substitui a mamografia como método de rastreamento.
Estar atenta a sinais como nódulos, alterações na pele da mama, sangramento vaginal fora do período menstrual, dor persistente ou alterações intestinais prolongadas é fundamental para buscar avaliação médica o quanto antes.
Conclusão
Conhecer os cânceres mais comuns nas mulheres é fundamental para fortalecer a prevenção e estimular o diagnóstico precoce. Informação de qualidade, exames regulares e acompanhamento médico fazem toda a diferença nos resultados do tratamento.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) trabalha para garantir informação baseada em evidências e acesso a especialistas qualificados em todo o país.
Esperamos que o artigo tenha sido esclarecedor. Caso precise de ajuda para encontrar um/a cirurgião/ã oncológico/a na sua região, utilize a nossa ferramenta de busca.


