O que é cirurgia citorredutora e quando ela é indicada no tratamento do câncer?

O que é cirurgia citorredutora e quando ela é indicada no tratamento do câncer?

Por: PUBLICADO EM: 16 set 2025

cirurgia citorredutora (ou cirurgia de redução de volume) é indicada para o tratamento de metástases peritoneais de diversos tipos de cânceres, com objetivo curativo ou paliativo. Para isso, ela combina procedimentos de peritonectomia e, se necessário, ressecções viscerais em blocos — sendo, às vezes, associada à quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC).

Neste artigo, esclarecemos os principais aspectos sobre a execução e indicação desse tipo de tratamento. Continue a leitura e saiba mais!

Como é a cirurgia citorredutora?

tratamento oncológico com cirurgia citorredutora objetiva remover a totalidade ou o maior volume possível de tumores malignos presentes no peritônio (membrana que envolve quase todos os órgãos do abdômen). O procedimento pode ser feito por videolaparoscopia (técnica cirúrgica minimamente invasiva) ou laparotomia (cirurgia abdominal aberta), sendo a dissecção comumente realizada com uso do eletrocautério.

Quais são os preparos necessários?

Antes de realizar qualquer procedimento cirúrgico, incluindo a cirurgia citorredutora, o/a médico responsável pede que o/a paciente pare de fumar e faça o jejum pelo período recomendado. No entanto, os preparos são variados, dependendo das condições clinicas, da extensão da doença e do uso (ou não) de HIPEC.

Quanto tempo dura a sua execução?

Considerada de grande porte, a execução da cirurgia citorredutora costuma ser bastante demorada. Dessa forma, o tempo no centro cirúrgico depende da extensão do tumor que o/a cirurgião/ã oncológico/a pretende remover.

Como é o pós-operatório?

Ao término da ressecção tumoral, o/a cirurgiã/ã oncológico/a fecha as incisões. Muitas vezes, é preciso deixar um dreno no abdômen, para dar vazão aos fluidos acumulados.

Depois do procedimento, o/a paciente permanece internado/a por alguns dias, para a devida recuperação. Após receber alta hospitalar, os cuidados pós-operatórios continuam em casa.

Quais são os cuidados após a alta?

Os cuidados em casa são essenciais para uma boa recuperação. Para isso, o/a paciente deve higienizar o local da cirurgia e ingerir as medicações conforme a prescrição médica (por exemplo, analgésicos, para o alívio da dor).

A ingestão de líquidos deve ser feita progressivamente. Recomenda-se beber pequenos goles de água ao longo do dia e ir aumentando o volume pouco a pouco. Também é necessário seguir a dieta recomendada, evitando ultraprocessados, condimentados, alimentos de difícil digestão e refeições copiosas (exageradas).

O repouso absoluto é contraindicado. Deve-se fazer exercícios para as pernas, para prevenir o risco de desenvolver coágulos sanguíneos (trombose venosa profunda). Recomenda-se, também, fazer exercícios respiratórios, como respirar fundo e tossir, para “limpar” os pulmões e prevenir o risco de pneumonia.

Para quais casos ela é indicada?

A cirurgia de citorredução pode ser indicada para casos de câncer de peritônio primáriosconsiderados bastante raros. Também é recomendada para casos de metástases peritoneais (cânceres avançados que se espalharam para o peritônio),geralmente, originadas no ovário, cólon, reto, fígado, pâncreas, estômago ou apêndice.

Mas, atenção: nem todos/as pacientes com os referidos quadros podem se submeter a esse tipo de tratamento. Para receber a indicação, é preciso ser avaliado por uma equipe multidisciplinar, composta por diversos especialistas.

Em geral, indica-se a abordagem para pacientes com metástases peritoneais:

  • com ausência de câncer fora da cavidade abdominal;
  • sem comorbidades sistêmicas (cardíacas, pulmonares ou outras descontroladas);
  • com até 75 anos de idade e boa capacidade funcional.

Saiba mais emCâncer operável: entenda os critérios para a indicação cirúrgica

É preciso combiná-la a outro tratamento?

Sim. A cirurgia citorredutora deve ser combinada à aplicação da HIPEC (perfusão intraoperatória de solução contendo quimioterápicos, sob hipertermia),realizada imediatamente após o procedimento para resseção tumoral.

Para facilitar o entendimento, considere que a HIPEC consiste na perfusão (“lavagem”) da cavidade abdominal com um tipo de medicamento quimioterápico de alta concentração, diluído em soro e previamente aquecido. Essa solução circula no abdômen por um período que varia de 30 a 90 minutos, objetivando matar as células cancerígenas eventualmente remanescentes.

Além de favorecer a cura, a associação terapêutica ajuda a aliviar sintomas decorrentes da doença. Ambos os tratamentos, vale destacar, já se encontram disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) — uma importante vitória da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO),após quase 10 anos de luta!

ConfiraMapeamento da realidade da cirurgia oncológica no Brasil

Para encerrar, deve-se ter em mente que a cirurgia citorredutora é uma técnica complexa e de difícil execução. Dessa forma, para ser bem-sucedida, ela requer uma considerável habilidade por parte do/a cirurgião/ã oncológico/a, bem como a adequada seleção de pacientes.

Para encontrar os/as profissionais melhor capacitados na sua região, utilize a ferramenta de busca da SBCO. Nossos membros se encontram distribuídos por todo país!

Autor:
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, fundada em 31 de maio de 1988, cuja finalidade é congregar cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado à pessoa com câncer.
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