A cirurgia citorredutora (ou cirurgia de redução de volume) é indicada para o tratamento de metástases peritoneais de diversos tipos de cânceres, com objetivo curativo ou paliativo. Para isso, ela combina procedimentos de peritonectomia e, se necessário, ressecções viscerais em blocos — sendo, às vezes, associada à quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC).
Neste artigo, esclarecemos os principais aspectos sobre a execução e indicação desse tipo de tratamento. Continue a leitura e saiba mais!
Como é a cirurgia citorredutora?
O tratamento oncológico com cirurgia citorredutora objetiva remover a totalidade ou o maior volume possível de tumores malignos presentes no peritônio (membrana que envolve quase todos os órgãos do abdômen). O procedimento pode ser feito por videolaparoscopia (técnica cirúrgica minimamente invasiva) ou laparotomia (cirurgia abdominal aberta), sendo a dissecção comumente realizada com uso do eletrocautério.
Quais são os preparos necessários?
Antes de realizar qualquer procedimento cirúrgico, incluindo a cirurgia citorredutora, o/a médico responsável pede que o/a paciente pare de fumar e faça o jejum pelo período recomendado. No entanto, os preparos são variados, dependendo das condições clinicas, da extensão da doença e do uso (ou não) de HIPEC.
Quanto tempo dura a sua execução?
Considerada de grande porte, a execução da cirurgia citorredutora costuma ser bastante demorada. Dessa forma, o tempo no centro cirúrgico depende da extensão do tumor que o/a cirurgião/ã oncológico/a pretende remover.
Como é o pós-operatório?
Ao término da ressecção tumoral, o/a cirurgiã/ã oncológico/a fecha as incisões. Muitas vezes, é preciso deixar um dreno no abdômen, para dar vazão aos fluidos acumulados.
Depois do procedimento, o/a paciente permanece internado/a por alguns dias, para a devida recuperação. Após receber alta hospitalar, os cuidados pós-operatórios continuam em casa.
Quais são os cuidados após a alta?
Os cuidados em casa são essenciais para uma boa recuperação. Para isso, o/a paciente deve higienizar o local da cirurgia e ingerir as medicações conforme a prescrição médica (por exemplo, analgésicos, para o alívio da dor).
A ingestão de líquidos deve ser feita progressivamente. Recomenda-se beber pequenos goles de água ao longo do dia e ir aumentando o volume pouco a pouco. Também é necessário seguir a dieta recomendada, evitando ultraprocessados, condimentados, alimentos de difícil digestão e refeições copiosas (exageradas).
O repouso absoluto é contraindicado. Deve-se fazer exercícios para as pernas, para prevenir o risco de desenvolver coágulos sanguíneos (trombose venosa profunda). Recomenda-se, também, fazer exercícios respiratórios, como respirar fundo e tossir, para “limpar” os pulmões e prevenir o risco de pneumonia.
Para quais casos ela é indicada?
A cirurgia de citorredução pode ser indicada para casos de câncer de peritônio primários, considerados bastante raros. Também é recomendada para casos de metástases peritoneais (cânceres avançados que se espalharam para o peritônio),geralmente, originadas no ovário, cólon, reto, fígado, pâncreas, estômago ou apêndice.
Mas, atenção: nem todos/as pacientes com os referidos quadros podem se submeter a esse tipo de tratamento. Para receber a indicação, é preciso ser avaliado por uma equipe multidisciplinar, composta por diversos especialistas.
Em geral, indica-se a abordagem para pacientes com metástases peritoneais:
- com ausência de câncer fora da cavidade abdominal;
- sem comorbidades sistêmicas (cardíacas, pulmonares ou outras descontroladas);
- com até 75 anos de idade e boa capacidade funcional.
Saiba mais em: Câncer operável: entenda os critérios para a indicação cirúrgica
É preciso combiná-la a outro tratamento?
Sim. A cirurgia citorredutora deve ser combinada à aplicação da HIPEC (perfusão intraoperatória de solução contendo quimioterápicos, sob hipertermia),realizada imediatamente após o procedimento para resseção tumoral.
Para facilitar o entendimento, considere que a HIPEC consiste na perfusão (“lavagem”) da cavidade abdominal com um tipo de medicamento quimioterápico de alta concentração, diluído em soro e previamente aquecido. Essa solução circula no abdômen por um período que varia de 30 a 90 minutos, objetivando matar as células cancerígenas eventualmente remanescentes.
Além de favorecer a cura, a associação terapêutica ajuda a aliviar sintomas decorrentes da doença. Ambos os tratamentos, vale destacar, já se encontram disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) — uma importante vitória da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO),após quase 10 anos de luta!
Confira: Mapeamento da realidade da cirurgia oncológica no Brasil
Para encerrar, deve-se ter em mente que a cirurgia citorredutora é uma técnica complexa e de difícil execução. Dessa forma, para ser bem-sucedida, ela requer uma considerável habilidade por parte do/a cirurgião/ã oncológico/a, bem como a adequada seleção de pacientes.
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