O que é imuno-histoquímica e para que serve no diagnóstico do câncer?

O que é imuno-histoquímica e para que serve no diagnóstico do câncer?

Por: PUBLICADO EM: 30 set 2026

A imuno-histoquímica é um exame laboratorial que utiliza anticorpos para identificar proteínas presentes nas células de um tumor. Essas informações ajudam a confirmar o diagnóstico, identificar a origem do câncer, definir características biológicas do tumor e orientar a escolha do tratamento mais adequado. Segundo a American Society of Clinical Oncology (ASCO), a imuno-histoquímica tornou-se uma ferramenta indispensável na oncologia moderna por permitir diagnósticos mais precisos e tratamentos cada vez mais individualizados.

Embora o resultado seja obtido no laboratório de anatomia patológica, ele influencia diretamente as decisões tomadas pelo cirurgião oncológico e pelos demais especialistas envolvidos no tratamento.

O que é a imuno-histoquímica?

A imuno-histoquímica é um exame realizado em amostras de tecido obtidas por biópsia ou cirurgia.

Após o processamento da amostra, o patologista utiliza anticorpos específicos capazes de reconhecer determinadas proteínas presentes nas células.

Quando essas proteínas são identificadas, ocorre uma reação que permite sua visualização ao microscópio.

Essa técnica complementa o exame anatomopatológico convencional e fornece informações importantes sobre o comportamento biológico do tumor.

Para que serve a imuno-histoquímica?

A principal função da imuno-histoquímica é fornecer informações que não podem ser observadas apenas pela análise microscópica tradicional.

Entre suas principais aplicações estão:

  • confirmar se uma lesão é benigna ou maligna;
  • identificar a origem de um tumor;
  • diferenciar tipos semelhantes de câncer;
  • avaliar marcadores que influenciam o tratamento;
  • estimar características relacionadas ao comportamento do tumor.

Essas informações permitem que a equipe médica defina estratégias terapêuticas mais precisas e individualizadas.

Quais cânceres podem precisar desse exame?

A imuno-histoquímica pode ser utilizada em diversos tipos de câncer.

Ela é frequentemente solicitada em tumores como:

A escolha dos marcadores depende do tipo de tumor, da suspeita clínica e das características observadas no exame anatomopatológico.

Como o exame influencia o tratamento?

A imuno-histoquímica permite identificar proteínas que ajudam a definir quais tratamentos podem ser mais eficazes.

No câncer de mama, por exemplo, o exame pode avaliar a presença de receptores hormonais (estrogênio e progesterona) e da proteína HER2, marcadores utilizados para orientar terapias específicas.

As diretrizes da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) recomendam essa avaliação como parte do planejamento terapêutico de diferentes tipos de câncer, permitindo uma abordagem mais personalizada.

Qual é a diferença entre anatomopatológico e imuno-histoquímica?

Embora sejam complementares, os exames possuem objetivos diferentes.

AnatomopatológicoImuno-histoquímica
Avalia a estrutura das células e tecidosIdentifica proteínas específicas nas células
Confirma a presença do câncerComplementa o diagnóstico
Define tipo e características gerais do tumorIdentifica marcadores importantes para o tratamento

Na maioria dos casos, a imuno-histoquímica é solicitada após a avaliação anatomopatológica.

Quem interpreta o resultado?

O exame é realizado e interpretado pelo médico patologista.

Os resultados são discutidos por uma equipe multidisciplinar formada por cirurgião oncológico, oncologista clínico, radiologista, radioterapeuta e outros especialistas.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a integração entre diferentes especialistas é fundamental para definir o tratamento mais adequado para cada paciente.

Para entender melhor o papel desse especialista, acesse a página “O que faz um cirurgião oncológico?” no portal da SBCO.

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Artigo revisado e assinado por: Dr. Juliano Rodrigues da Cunha, Cirurgião Oncológico | Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Dr. Alex Schwengber, Cirurgião Oncológico | Vice-Diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)

Perguntas Frequentes

A imuno-histoquímica confirma o câncer?

Ela complementa o diagnóstico realizado pelo exame anatomopatológico e ajuda a caracterizar melhor o tumor.

Todo paciente com câncer precisa fazer imuno-histoquímica?

Não. A necessidade depende do tipo de câncer e das informações necessárias para definir o diagnóstico e o tratamento.

A imuno-histoquímica é um exame de sangue?

Não. O exame é realizado em amostras de tecido obtidas por biópsia ou cirurgia.

Quanto tempo demora o resultado?

O prazo pode variar conforme o laboratório e a complexidade da análise, mas geralmente leva alguns dias após o processamento da amostra.

Autor:
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, fundada em 31 de maio de 1988, cuja finalidade é congregar cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado à pessoa com câncer.
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